Osvaldo Macedo de Sousa
Osvaldo Macedo de Sousa

O Ano Santo Xacobeo comemora-se desde a Idade Média, por decreto Papal, transformando a peregrinação a Santiago de Compostela em algo mais especial. Esse ano é marcado pela coincidência do dia do apóstolo Santiago Maior (25 de Julho) com um domingo, o que acontece este ano.

            Navegando nesta santa maré, encontramos o nosso amigo Gogue (José Angel Rodriguez Lopez), parceiro em vários eventos nossos (inclusive o Trevim já editou um livro com os seus cartoons do “Floreano”) que, no seu canto das «Rias bajas» e do seu Grove galego, conquista o mundo, não só enviando os seus humores para serem publicados na imprensa americana, como transformando a sua personagem «Floreano» num ícone da Galiza e símbolo universal do Ano Santo Xacobeo 2021.

            Gogue, o “Floreano”, que há mais de três décadas sobrevive no «Faro de Vigo», de repente começou a ganhar um espaço muito especial, ou seja, como imagem publicitária dos vinhos Riojas e de outros eventos regionais, que se transformou em vedeta cinematográfica com realização de pequenos filmes animados, ganhou personalidade de cabeçudos em romarias. foi personagem contra o Covid19 no livro «La Tropa contra el Virus», foi consagrado como estátua na sua aldeia natal de O Grove… e, agora, parte para o mundo a promover o Ano Xacobeo. Apesar deste crescimento cosmopolita, ele e os seus companheiros continuam a ser os aldeões galegos, com as suas idiossincrasias próprias, com o seu humor galego… Dizem que há um humor especial na Galiza!

            Gogue: «Penso que sim, cada país tem o seu particular sentido de humor, que outros não o têm. O humor galego caracteriza-se pela “retranca”, e dizer na nossa própria maneira, sacar a “ponta” a qualquer situação particular».

            As tuas personagens humorísticas acabaram por não se restringirem às páginas dos jornais, ganharam vida muito além. Como tem sido esse percurso? «O meu sonho, desde que comecei a desenhar, é que as minhas personagens perdurassem no tempo e penso que estou a consegui-lo como outros autores – Ibañez, Quino, Uderzo, Hergé, Shulz, Mingote, Vasquez, etc, etc. (não quero comparar-me com estes monstros da ilustração, mas estou próximo deles. Pena é que também não façam uma estátua do «Broncas» na Lousã, porque também merece). Este mundo da criação gráfica é uma corrida de fundo, com muitas etapas, umas melhores do que outras e creio que estou a chegar à meta com o “Floreano” no cinema de animação e como imagem do Ano Xacobeo».

            Neste mundo cada vez mais intolerante, em que a caricatura tem desaparecido da imprensa, o “Floreano” é um sobrevivente e um acto de rebeldia? «É triste, mas certo, e nisso estou com o “Floreano”, resistindo ao impacto das novas tecnologias e de outras circunstâncias que perturbam a filosofia dos criadores que ainda seguimos lutando na imprensa. Por isso pode-se dizer que o “Floreano”  é um rebelde com causa….»

            É importante uma caricatura ser a imagem turística de uma região e de um evento religioso tão especial, não só com a curta-metragem «A Orixe de todos os camiños – Floreano e Monchiña» (o qual terá continuidade com uma nova animação sobre «Os camiños de Portugal», um deles que percorre a falda da serra da Lousã), também como selo de correios? «Importantíssimo para o evento, por tudo o que significa, e para mim que a minha personagem dê a volta ao mundo. Sabia da importância que tem e, por isso, levou-me a estar neste projecto, nada mais nada menos que durante cinco anos, e estou assistindo ao impacto brutal que está tendo. Temos de dar conta que é um evento de Peregrinação Universal e, portanto, vai implícito o Xacobeo, “Floreano”, Galiza, Espanha e o autor num espaço postal de 3×4 cms».

            Crês que o “Floreano” ofusca o Gogue? Ou seja, há risco dele ficar mais famoso do que o seu criador?  «O do ofuscamento não me preocupa. Trabalhamos em conjunto. Ele pergunta-me se hoje quero ir à Taberna do Epi, então pomo-nos a caminho, a tira do dia vai acontecer na taberna do Epi. Fazemos uma simbiose perfeita, trabalhamos em perfeito equilíbrio, por isso é que gosto tanto dele»

            As outras vertentes criativas do Gogue não têm ciúmes do “Floreano”?  «As outras criações são independentes a ”Floreano”, portanto ele é um ser único. Eu termino como sempre: TEMOS DE SONHAR, É O QUE NOS RESTA».

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