Carla F. Lôbo, MSc

(Psicologia Clínica, Psicologia da Justiça)

De um momento para o outro, deixámos de nos poder cumprimentar – dar um beijo ou um abraço. Passámos ao teletrabalho, às refeições takeway, aos concertos online. 

Na adolescência, a conquista gradual da autonomia e a descoberta da intimidade são um dos estágios desenvolvimentais. Neste contexto pandémico, como podem os jovens desenvolver-se nestes dois níveis? Os pares assumem nesta fase do ciclo vital uma importância extrema. O distanciamento físico, a diminuição dos contactos pessoais e o fecho de muitos locais onde o convívio entre pares acontecia (bares, discotecas, limitação do número de pessoas por mesa nos restaurantes, procedimentos diferentes nos clubes desportivos e ginásios) não facilitam em nada a relação com os pares. A ansiedade, que afecta todos, é também sentida por estes jovens que se tiveram que habituar primeiro à escola digital e depois a uma escola onde distanciamento e máscaras reinam e deixou de existir convívio nos intervalos. 

Todas estas mudanças podem ser fonte de stress e o isolamento pode acarretar sintomas depressivos. O aumento do uso do telemóvel e do computador foi uma forma de fazer face ao imposto distanciamento social mas trouxe outros problemas. O ciberbullying aumentou imenso, assim como as dependências destas tecnologias também.

As pessoas que já tinham problemas de ansiedade e de depressão viram o seu estado piorar, mas muitas outras pessoas entraram em depressão o que provocou o aumento muito acentuado de medicação psiquiátrica. Ansiedade gera ansiedade. Se sente que necessita de ajuda, não hesite em contactar um técnico especializado. Pedir ajuda é sinal de coragem.

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