No quadro da USF Trevim Sol continua a faltar um clínico geral

Com vista a reforçar a assistência médica nesta época em que todos vivemos sob a ameaça do novo coronavírus, o Governo autorizou recentemente o Ministério da Saúde a contratar 435 novos médicos na área da medicina geral e familiar.

Segundo o despacho conjunto do ministro de Estado e das Finanças e do secretário de Estado da Saúde, apenas zonas geográficas carenciadas integram a lista de unidades de saúde que vão ver os seus serviços reforçados. E a definição destas zonas assenta em indicadores como o produto interno bruto (PIB) per capita, o número de médicos face à densidade populacional, os níveis de desempenho assistencial e a capacidade formativa dos serviços de saúde.

Recorde-se que, no ano passado, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Trevim Sol dispunha apenas de quatro médicos de medicina geral e familiar, o que deixava 1740 pessoas sem médico de família atribuído. Em 2020 o panorama é semelhante.

Em contacto com Avelino Pedroso, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte, que inclui o nosso concelho, o Trevim soube que na “USF Serra da Lousã estão a exercer seis médicos de família”, o que está de acordo com a dotação e “corresponde à necessidade dos utentes nela inscritos”. No entanto, na USF Trevim Sol, “o quadro comporta cinco médicos, estando a faltar um que aguarda colocação por mobilidade”, pelo que continuam “1670 utentes sem médico atribuído”.

Acontece que, o concelho da Lousã não integra a tal lista das zonas geográficas carenciadas, segundo o despacho publicado no Diário da República, não estando assim prevista a vinda de mais algum médico para o Centro de Saúde.

Conforme o Trevim reportou há cerca de um ano, numa reunião da Assembleia de Freguesia de Serpins vários membros do público presente contaram que “os utentes vão para Arganil sempre que a Lousã não tem capacidade para os atender”. Marília Pereira, coordenadora da USF Trevim Sol e médica do posto de saúde local, informou então este jornal que a Unidade Básica de Urgência de Arganil integra o ACES PIN e tem atendimento de 24 horas, assegurando um “primeiro nível de resposta a situações de cariz médico não-cirúrgico, à exceção da pequena cirurgia”.

Utentes queixam-se da falta de atendimento telefónico

Ao que este quinzenário apurou junto a fonte que optou por não ser identificada, “é impossível contactar o Centro de Saúde da Lousã porque nunca atendem os telefones”.

“É um contrassenso numa altura de pandemia as pessoas tentarem contactar os serviços de saúde da Lousã e nunca ninguém atender”, contou a mesma fonte, acrescentando que a falta de atendimento via telefone “obriga muitas pessoas a deslocarem-se ao Centro de Saúde, em especial idosos que estão mais suscetíveis a contrair o novo coronavírus”.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Mariana Domingos
Carregar mais artigos em Destaque

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja também

Comércio local dinamizado no período natalício

Em tempos de pandemia o comércio típico viu-se bastante afetado, em especial as s lojas, c…