A produção de mel registou este ano quebras como nunca antes tinham ocorrido. Testemunhos de vários apicultores presentes na Feira do Mel e da Castanha apontam para reduções drásticas na ordem dos 90%. Artur Rodrigues, natural de Miranda do Corvo, é apicultor há 40 anos e não se recorda de um ano com tão pouca produção. “Quanto a mim, o maior problema foi o clima. O tempo esteve muito instável, choveu até muito tarde, esteve frio”, disse o apicultor ao Trevim, para quem a vespa velutina teve um papel secundário na redução da produção.

Outros apicultores têm um discurso diferente. Admitem que o clima seco, com altas temperaturas, não foi favorável, mas atribuem as causas da diminuição da quantidade de mel às consequências dos incêndios. “Os incêndios foram muito prejudiciais, queimaram muitas abelhas e o pasto. Não havendo flora, não há mel”, frisou Emídio Fernandes, informando que perdeu 30 colmeias na zona da Pampilhosa da Serra e que, apesar de ter sido indemnizado, não conseguiu ainda recuperar a quantidade de enxames. Essa dificuldade prende-se com a ação “demolidora” da vespa asiática “As colmeias estão reduzidas a uma terça parte. Um colega meu tinha 25 abelhas. Há bocado fomos lá e só contou nove abelhas vivas, o resto é só vespas, se não derem jeito a isto…”, contou, realçando que passa muito tempo a matar vespas, numa ação que pode ser considerada inglória, uma vez que cada ninho tem centenas ou milhares de vespas, prontas para atacar.

Continua na edição impressa do Trevim nº 1392

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