Em entrevista ao Trevim, investigador Xavier Viegas defendeu a criação de planos de emergência para as serras a fim de que a população saiba o que fazer em caso de incêndio. Depois do relatório ao incêndio de Pedrógão Grande, o especialista e a sua equipa encontram-se a estudar as ocorrências de 15 de outubro, para cujo trabalho foi solicitada a colaboração de investigadores espanhóis.

Tem referido que os dois grandes incêndios de 2017 foram provocados pelo contacto entre linhas elétricas e árvores. Acha que terá havido posteriormente mão humana a ajudar à disseminação dos fogos pelas diferentes zonas do país?

Temos indícios que os incêndios de Pedrógão Grande (17 de junho) e da Lousã, (15 de outubro) poderão ter começado com o contacto entre ramos de árvores e linhas elétricas. Ainda estamos a investigar, mas em 15 de outubro houve outros incêndios que terão sido causados por pessoas a fazerem queimadas, porque tinham a indicação de que viria chuva. Houve uma má previsão meteorológica. Com o vento e o calor que estava, as queimas deram origem a outros incêndios. Temos indícios de que houve fogos intencionais no Pinhal de Leiria, já antes do dia 15 de outubro. Os vários focos de incêndio colocados nos dias anteriores reacenderam e deram origem àquela tragédia. Isso aliás também aconteceu em outras regiões do centro. Incêndios que tinham sido dados como extintos acabaram por reacender nesse dia afetando áreas muito grandes.

 Acredita que a Lousã é uma zona de risco elevado de incêndio devido às altas temperaturas que costuma ter?

A Lousã é igualmente perigosa como qualquer outro ponto da região centro. A Lousã, por causa da Serra não tem temperaturas tão altas mas o que acontece é que devido à orografia, à quantidade de vegetação que há e aos povoados dispersos, como as aldeias, acaba por estar numa situação muito preocupante. Vale a pena as autoridades terem atenção. Os autarcas, as pessoas que vivem aqui, os operadores turísticos, devem estar precavidos contra esse risco. Não temos de entrar em alarmismos, o que importa é que cada um faça o que está ao seu alcance para, pelo menos, salvaguardar as suas vidas. Há zonas em que se pode fazer planos com antecedência sobre o que fazer em caso de incêndio. Primeiro decidir se vai fugir ou se deve ficar. E se decidir fugir, fazer isso com muita antecedência. Nunca se fazer à estrada em pleno incêndio. Faz sentido um plano de emergência para a Serra da Lousã. Um plano que as autoridades devem ter e que devem comunicar às populações. Por outro lado, as pessoas também devem também ter o seu próprio plano.

 

Continua na edição impressa do Trevim nº 1379

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