José Oliveira

Para mim, verde-branco só fresquinho e no verão. E pouco, por causa do ácido úrico. De modo que, por causa do ácido úrico, mal abro o jornal fecho-o logo a corrrrer. E desligo o rádio mal começam as notícias, idem a televisão. Estou farto de verde-branco! E não é que eu seja torcedor por qualquer outra diferentemente cromática agremiação do género, porque não sou. Não sofro disso; mas passaria, num instante, a sofrer de ácido úrico, se dedicasse atenção às importantíssimas manchetes que nos avassalam.

Não vai haver aumento de salários nos tempos mais próximos? Os hospitais estão na penúria e acumulam os doentes até mesmo nos vãos de escada? No Porto faz-se quimioterapia a crianças no corredor? Os professores, se porventura conseguem um emprego, pode muito bem ser a centenas de quilómetros de casa? Para a Cultura, vai mais uma migalha (pequena) de cada vez que os respectivos trabalhadores reclamam? Multam-se os proprietários da floresta que não tenham procedido à sua limpeza (à sua ‘gestão de combustível’, para ser mais fino), multam-se mais de mês e meio antes de terminado o prazo, não propriamente para cobrar, mas para lhes meter medo, como se eles fossem criancinhas receosas do papão? Propomos em Bruxelas que passemos a pagar mais impostos? Continuamos a apostar no conceito designado por ‘dívida gerível’? Prosseguem as injecções de capital público nos bancos falidos, mesmo que sejam privados? Continuamos a acreditar que a nossa salvação será o bendito turismo? Vai continuar a infâmia de chorudas e impunes negociatas em torno dos meios de combate a incêndios? Elimina-se um comboio que transportava diariamente a Coimbra as populações vizinhas da serra, a troco dum embuste chamado metro-mondego que só existe para continuar a amamentar uma administração-fantasma?

Nada disto importa! O mais flagrante foco da actualidade assenta sobre a problemática verde-branca, protagonizada por um tipo que, aposto, nunca jogou à bola mas se arroga ser ‘dono daquilo tudo’.

Estou farto das notícias verde-brancas! Antes a omnipresença e as ‘selfies’ do presidente!

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