O jornal Trevim ainda está a apagar as suas 50 velas. Conta já com meio século de existência, sendo uma referência num pequeno leque de edições históricas, daquelas que passaram pelo lápis azul dos tempos da ditadura e que mesmo assim se conseguiram nortear pelos princípios basilares de uma informação livre. Cresci com este jornal a chegar a minha casa, contando-me as notícias do que por aqui se passava, como a atualidade, a política ou os grandes eventos que marcaram a história deste município. Em finais de 1999, iniciava a minha colaboração neste quinzenário, uma casa que me ajudou a crescer e a olhar mais atenta e criticamente para o meu concelho. Poucos anos mais tarde, numa época em que pouco se usava a internet, o jornal foi o cordão umbilical que me ligava à minha terra quando fui estudar e viver para Itália ao abrigo do programa universitário Erasmus. Não me esqueço da emoção que sentia quando chegava a última edição pelo correio, que rapidamente devorava, mesmo os assuntos a que cá não daria tanta importância.

Nestes últimos anos o mundo mudou, as tecnologias também e a imprensa não ficou à margem deste processo global. Alguns dos jornais que eram já quase centenários acabaram por fechar as suas portas, fosse por não se adaptarem aos novos tempos, por terem sido postos de parte por grandes grupos económicos ou mesmo por terem expirado juntamente com os seus fundadores. Eu não enquadro o “Trevim” em nenhum destes cenários. Ele continua a chegar às bancas, e espera-se que assim perdure por muitos anos pois a equipa que lhe dá corpo sabe que, apesar de ser um órgão de comunicação com passado, ambiciona também ter futuro. E sabemos que para isso ele tem de se reinventar, de se adaptar aos tempos em que vive e aos seus leitores, seja aos que lhe são fiéis como aqueles que também quer captar. E temos uma identidade que nos define, um conjunto de causas que abraçamos e pelas quais entendemos que devemos lutar, num gesto de cidadania que tem como único objetivo o interesse público da Lousã. Abraço, assim, este novo desafio, sabendo que o caminho nem sempre será fácil, mas que honrará a máxima pela qual o “Trevim” se pautou desde a sua criação, “uma voz nova para uma Lousã renovada”.

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