A Câmara Municipal da Lousã aprovou por unanimidade, na reunião de 2 de abril, a desclassificação da Fábrica de Papel do Boque como imóvel de Interesse Municipal. Segundo o presidente do Executivo, Luís Antunes, a proposta surgiu da Divisão de Urbanismo da autarquia e teve em conta as “circunstâncias” atuais dos edifícios. “O que está aqui em causa é o imóvel, a infraestrutura física, foi esse bem que foi classificado como interesse municipal, atendendo às circunstâncias os fundamentos da sua classificação estão agora claramente alterados”, informou o autarca, na recente sessão pública mensal a que o Trevim assistiu. “Os fundamentos são perfeitamente atendíveis e acho que se justifica essa desclassificação”, reforçou.

A proposta encontrou a concordância no único representante da oposição social-democrata no órgão. “Compreendo perfeitamente, não ficou lá nada, já nem edifício é, muito provavelmente esta será uma solução mais do que fundamentada”, referiu Victor Carvalho, tendo perguntado anteriormente a este comentário, que medidas foram tomadas pela autarquia para preservar os equipamentos que adquiriu após o encerramento da unidade industrial.

“O que foi feito para preservar, manter, cuidar dos equipamentos que agora ficaram todos derretidos pelo fogo”, questionou o vereador, aludindo ao incêndio de 15 de outubro que afetou a freguesia de Serpins, atingindo a unidade industrial, situada em Casal de Santo António e desativada desde 1986. “No que respeita à manutenção dos equipamentos propriedade da Câmara Municipal, foram feitas algumas diligências (…) no sentido de preservar alguns bens, nomeadamente várias operações que tiveram a ver com o derramamento de alguns depósitos de nafta lá existentes, no sentido de evitar danos” ambientais, mas “em concreto não sei precisar”, respondeu Luís Antunes. O edil do PS acrescentou ter sido constituída uma comissão de técnicos de obras municipais e dos serviços de Cultura para ir ao terreno verificar o estado em que estão os equipamentos propriedade do Município, estando ainda a aguardar o relatório. O presidente salientou que “os contratos feitos no âmbito da aquisição tinham alguns condicionamentos no que diz respeito à manutenção dos equipamentos naquele espaço que é um espaço privado”, disse. Victor Carvalho questionou ainda sobre o valor investido e o ano da aquisição do equipamento, tendo o autarca respondido que não tinha essa informação no momento. Solicitada a documentação à Câmara da Lousã, Trevim ainda aguarda essa informação.

Continua na edição impressa do Trevim nº 1376, que dedica três páginas a esta unidade industrial

 

Imagem: DR

@ Foto histórica cedida por Hannah Art Gallery, que mostra a máquina de fabrico de papel do Boque. Foi a primeira máquina de fabrico contínuo de papel instalada em Portugal no séc.XIX

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