2018: fazer avançar a esperança

Pedro Malta

Manda a tradição que a passagem de um ano para o seguinte, nos países ditos civilizados, seja objecto de folgança, boa mesa e fogo de luzes, sempre acompanhados de efusivos cumprimentos entre familiares e amigos, inebriados com a expectativa de melhores dias no ano que dealba ou da repetição do passado, desde que o ano velho não tenha sido pródigo em azares e/ou aselhices.

Temos consciência de que essa ementa não pode ser degustada por todos os seres humanos por igual. Haja em vista a desigualdade entre ricos e pobres que, por esse mundo fora, está em desmesurado crescimento, apesar dos compromissos dos líderes mundiais para a combater.

Traduzidas em percentagens essas desigualdades estão estatisticamente postas do seguinte modo: os 1 por cento mais ricos dispõem de uma riqueza superior à do resto do mundo. E as 8 pessoas mais ricas do planeta têm tanta riqueza como metade da população mundial.

Estes dados fazem parte de estudos divulgados pela OXFAM International, com sede em Oxford, Inglaterra, fundada em 1942, uma confederação que reúne 18 organizações de solidariedade e mais de 3000 parceiros, que desenvolve a sua actividade em mais de 100 países, com o objectivo de encontrar soluções para os problemas da pobreza e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e acções emergenciais.

Depois de algumas importantes transformações sociais, sobretudo a partir da Revolução Industrial, em finais do século XIX, que fizeram subir o nível de bem-estar em vastas camadas da população mundial, chegámos ao século XXI – o século da mais avançada revolução tecnológica, que pôs, como nunca, ao dispor do Homem, os argumentos mais eficazes para a evolução do conhecimento e do progresso em todos os ramos da actividade humana – com o retrato atrás desenhado, que o mínimo de classificação que pode receber é de obsceno e pornográfico. Não tenhamos medo das palavras.

Mas, em face desta situação, “o desespero não é opção. Por mais horrenda que nos pareça a actual situação global, os esforços de resistência à opressão e à exploração nunca deixaram de dar frutos, mesmo em épocas bem mais obscuras do que a nossa”, é a convicção de Noam Chomsky, há mais de quatro décadas proeminente linguista norte-americano, observador atento e crítico da sociedade e da política internacional, que fez publicar, no ano passado, o livro “Optimismo e não desespero” (título em português), que no nosso país saiu na editora Elsinore.

O cenário com que a população mundial está confrontada, não só os deserdados da fortuna, com relevo para as alterações climáticas e a ameaça nuclear, não augura muito de bom para o ano que acaba de nascer. Mas, como faz questão de salientar o cientista americano, há que fazer esforços para que possamos “ser optimistas e aproveitar todas as oportunidades que certamente existem e talvez ajudar a tornar o mundo melhor”.

Bom Ano Novo

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