A ação psicológica na guerra colonial  através de cartazes e folhetos utilizados na época, foi o tema de uma exposição inédita, no Museu Municipal Álvaro Viana de Lemos, na Lousã. A inauguração decorreu no dia 11 de novembro, às 16:00, no âmbito da comemoração do cinquentenário do jornal Trevim.

Trata-se de um conjunto de várias dezenas de cartazes e folhetos originais recolhidos por Fernando Hipólito, durante as suas funções de furriel miliciano na Guerra Colonial no Leste e Norte de Angola entre 1969 e 1971. Desde criança que alimentava um espírito de colecionador, mas admite nunca ter tido a verdadeira perceção da importância que este conjunto de documentos gráficos acabou por ter.

Do seu ponto de vista, embora admitindo a existência de outras interpretações, algum deste material criado pelas Forças Armadas e dirigido às tropas portuguesas e outro à população autóctone, cidadãos comuns ou guerrilheiros operacionais, são cartazes e folhetos promotores de paz.

Futuro da coleçao

entregue ao Trevim

No final da  inauguração, Hipólito delegou o futuro da coleção em José Oliveira, que chegou a ser seu camarada de pelotão e um participante ativo na recolha.

Lisonjeado com a oferta, José Oliveira declarou, por sua vez, que transferia essa delegação para a Cooperativa Trevim,  sugerindo que a colectividade lousanense deposite o acervo no Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra, uma vez que se trata de uma coleção de interesse documental, que mostra outro modo de fazer a guerra.

Acredita-se que seja um conjunto singular, nunca antes exibido, que pode ser visitado até ao dia 23 de dezembro, no Museu Municipal Álvaro Viana de Lemos. 

Patrícia Carvalho

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