Pedro Júlio Malta

Para que o Trevim pudesse ver a luz do dia não bastaram as ideias e o entusiasmo dos fundadores, assim como não bastou superar, com a ajuda de alguns conterrâneos amigos, as complexas teias burocráticas do processo que se pretendia concretizar, burocracia exigida pela vigilância do regime, através do departamento a que competia essa função, a Direcção-Geral dos Serviços de Censura.

Entre outras iniciativas foi preciso arranjar quem escrevesse notícias das freguesias, os chamados correspondentes, e quem trouxesse colaboração de outra natureza, a qual, pela oportunidade do seu conteúdo e pela mais-valia da qualidade da escrita, pudesse contribuir para a valorização do jornal, tornando o seu todo num projecto jornalístico equilibrado, com esmero de leitura e impacto na intervenção.

Na realidade estes dois tipos de colaboração foram determinantes para a afirmação do jornal, obviamente com particular relevo para os correspondentes, que realizaram o estupendo trabalho de fazerem reflectir nas páginas do Trevim o viver quotidiano do concelho e não apenas da vila e seu termo, com suas reclamações, mágoas e alegrias. Esse género de notícias foi fundamental para a expansão do número de leitores, não só na área do concelho, mas sobretudo nas comunidades de lousanenses que tiveram de deixar a terra natal para procurarem no resto do país e no estrangeiro um porvir mais radioso.
Orgulha-se o Trevim de ter podido contar com alguns correspondentes que não se limitavam a alinhavar notícias, mas em que foi indiscutivelmente notória a preocupação de aliarem à riqueza da informação algum recorte de escrita que proporcionava uma leitura de belo efeito.

No grupo dos outros colaboradores, geralmente chegados a convite do jornal, teve este (e continua a ter) a honra de contar com a participação de credenciados artistas da palavra e das artes plásticas, que estiveram (têm estado) quase sempre em sintonia com os objectivos procurados pela linha editorial, contribuindo com os seus textos para elevar a qualidade e a força da intervenção que se pretendia (pretende).
Não cabe hoje, neste espaço, fazer referência a nomes desses queridos companheiros de jornada, dos quais alguns a morte já roubou do nosso convívio. Havemos de ter ocasião de os evocar em edições posteriores nesta caminhada gratificante que vai sendo a comemoração dos cinquenta anos deste empreendimento jornalístico. Para já fica esta simples mas sincera homenagem.

Editorial “Cinquenta anos (1)”, publicado na anterior edição, pode ser lido aqui: http://www.trevim.pt/index.php/2017/09/29/editorial-cinquenta-anos-1/

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